FERNÃO MENDES PINTO

A quando dos telejornais, mudo sempre de canal e vou parar à RTP Memória!
A estas horas está a falar o Dr. José Hermano Saraiva, sobre história. Desta vez apanhei-o a falar sobre este senhor!
Segundo ele, e como (todos sabem), Fernão Mendes Pinto, foi um aventureiro, que partiu para terras do oriente à procura de fortuna! Arranjou-a e quando estava para regressar a Portugal, já em Goa, teve um ""chamamento" e ingressou nos Jesuítas!
Pensou ele, que era hora de se redimir de todas as tropelias e sacanices que tinha cometido e doou tudo à congregação! Azar o dele, digo eu!
Mais tarde arrependeu-se, e descobriu que aquela seita local e sublinho "local", não passava de um bando de canalhas que faziam toda a espécie de barbaridades em nome, sabe-se lá de quem!
Acabou por regressar a Portugal e escreveu um famoso livro de título "A PEREGRINAÇÃO"!
Muito mais eu podia aqui escrever sobre este tema, mas ficam só dois pequenos apontamentos, que gostava que soubessem.
Ele trabalhou durante bastante tempo na Misericórdia de Lisboa, mas vivia no Pragal, Almada e ainda hoje existe a casa onde murou, só que está ao abandono!
Outra, é o facto de ele ter sido desacreditado neste (reino de sua majestade) e, por se "ter metido com quem não devia". Lembro-me, de na escola ter ouvido falar dele, mas ficou sempre aquele refrão do: "Fernão Mentes? Minto!".
Percebem!
Vou ler o livro!
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Fui à biblioteca e arranjei o livro , mas em dois volumes!
Já li um e estou a começar o outro!
Digo-vos que estou estupefacto!
É impressionante a descrição minuciosa que faz dos acontecimentos e peripécias, pena é estar escrito em português arcaico, razão pela qual muita boa gente não consegue ler até ao fim esta obra prima da nossa literatura!
Deixo aqui um apontamentos, que vou transcrever na integra para repararem de como ele descreve um BUDA!
"Na frontaria deste pátio, onde estava a escada por onde subiam para cima, tinha um grande arco lavrado todo de obra de macenaria muito rica, do meio da qual pendia um escudo de armas a modo de pavés, pendurado por uma cadeia de prata, o qual no meio de um circulo, tinha pintado um homem quase de feição de um cágado"
Deixo outro apontamento muito interessante, que era o facto dos nossos marinheiros serem muito solidários, ao ponto de numa ocasião, ouvirem já noite, gente a acudir por misericórdia, no meio do mar e a medo, descobrirem que eram náufragos portugueses, como o barco estava cheio, deitaram os tripulantes escravos "borda fora", para receberem os "irmãos"!
Mais informo, que a maior parte das vezes navegavam em JUNCOS e não em NAUS ou CARAVELAS!
Já me esquecia de vos dizer que o herói, dele era um capitão muito respeitado, de nome António de Faria, o qual se dava ao cuidado de a ouvir, antes de tomar alguma decisão mais complicada; isto é "democracia", não é?
A saga continua...esperem!
Pois continuou e de que maneira!
O segundo livro é mesmo terrível para o autor, que passou a maior parte do tempo cativo e escravo, na China, mas teve, também, alguns momentos de glória e sorte, muita sorte!
Por milagre viu-se livre do cativeiro e encontrou um português que lhes deu alguma ajuda depois de se virem livres e absolvidos num julgamento, em que, até havia na China, nesse tempo, "Procuradores dos Pobres", uma espécie de advogados oficiosos! Pasmem!!!!!!!!
Saído desta embrulhada, meteu-se logo noutra e quando parecia que tudo ia bem, apareceram os Tártaros a invadirem a China, com um exército de mais de um milhão de soldados!!!!!!!!!!
Mais uma vez, saiu desta aventura na maior, já que um português amigo dele, arranjou forma de ajudar os invasores na conquista de uma cidade de forma espantosamente simples e com isso foram recompensados principescamente!
Não me vou adiantar mais, pois teria que escrever um livro, só para resumir as partes mais importantes, no entanto, só mais uns apontamentos!
Ele curou, ele ensinou, ele viajou bastante por terras entre a Índia e China, já que fala em países como o Laos e Cambodja, não fala das Filipinas nem da Indonésia, (talvez não existissem nessa época com esse nome), ele levou para o Japão a tecnologia das armas de fogo, desconhecidas por lá e copiadas rapidamente.
Os últimos capítulos do livro, são passados a viajar, acompanhado de padres, em missões de embaixada e representação evangélica, que me pareceram um desastre!
Saiu de Goa em Fevereiro e chegou a Portugal em Setembro de 1558, governando então este reino a rainha D. Catarina, nossa senhora, que santa glória haja, a quem dei a carta que lhe trazia do governador da Índia.....
Reparem, que ele, não falou no rei que governava Portugal nessa altura que era o D. Sebastião, de triste memória!
Só passados quatro anos, é que lhe reconheceram o mérito e arranjaram um "tachozito".
Bem, o melhor mesmo é lerem o livro!


2 Comments:
Pragal (Almada)
Obrigado pela dica, tinha-me esquecido do local!
Um leitor atento dá sempre jeito!
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